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ICCROM_ICS01_CeramicaDecorada00_es

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FIGURA 1 Claustro da Igreja e Convento de S. Francisco, em Salvador, Bahia.

del profesional de rastauración e investigación científica, na VI Assembléia Geral do ICOMOS, em Roma.

Nesta linha de preocupações nasceu o NTPR (NúcleodeTecnologiadaPreservaçãoedaRestauração), através de um protocolo de colaboração técnica entre a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Por seu intermédio, efetivou-se o tirocínio de muitos investigadores e seus especialistas têm sido responsáveis pela docência das disciplinas de ciência da conservação nos cursos de pós-graduação da Bahia e de outros estados. Muitas dissertações de mestrado foram apoiadas pelo seu laboratório e, dentre elas, podemos contabilizar estudos específicos sobre conservação da azulejaria. Este tipo de atuação parte do pressuposto de que a conservação de monumentos deve ser uma pós-graduação, como foi consenso na reunião do ICOMOS em 1982.

Entretanto, malgrado o Brasil estar muito avançado e termos uma tradição sedimentada no campo da construção civil, permanece, ainda, um estado de relativo empirismo nos nossos canteiros de restauração. Sendo a azulejaria um material até certo ponto sofisticado e complexo, este estado de coisas não contribui para resolver os problemas que nos afligem neste particular.

Entendemos que, pelo menos no caso brasileiro, o problema reside, por um lado, na atitude cultural equivocada dos investigadores da ciência e técnicos, que ainda não se aperceberam, ou não foram despertados, para a responsabilidade de refletir e contribuir para a conservação da memória, já que, todos estamos cansados de saber, que a conservação e o restauro são atividades interdisciplinares. Por outro lado, aparece a formação científica pouco consistente dos arquitetos, que deveriam liderar o processo da conservação dos monumentos. A este respeito ocorre-nos sempre uma das afirmativas, sempre muito lúcidas, de Gurrieri: La disgraziata eliminazione della obbligatorietà degli studi di fisica e di chimica della facoltà di architettura rende oggi più grave il problema. Persino il lessico tecnico degli architetti si è impoverito, diventando sempre più simile a quello spesso improvvisato e inesatto di quegli “storici dell’arte” che si occupano di questioni tecniche1. Convenhamos que sem um mínimo de linguagem científica não existe equipe interdisciplinar e estaremos construindo uma Torre de Babel para chegar a lugar nenhum. A verdade é que, não se pode trabalhar em azulejaria desconhecendo os fundamentos da degradação biológica, os fenômenos das tensões de cristalização dos sais, os recursos e as informações da difratometria de raios-X, as propriedades básicas das argilas, as

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características técnicas dos materiais cerâmicos, o uso da microscopia ótica e até mesmo eletrônica (SEM) e assim por diante.

Cabe à Universidade, como instituição, uma parte razoável desta culpa, tanto pelo perfil de arquitetos que produz, como também pela formação pouco humanística que transmite aos profissionais das áreas ditas científicas, incorporando uma das falhas da sociedade industrial, criadora de uma visão estreita de profissionais. O problema é que, depois de alguns anos, estes profissionais assumirão a liderança da comunidade na esfera política, da administração da coisa pública e da economia, sem a menor sensibilidade para os problemas da cultura. Tem que se ressaltar, também, as deficiências da educação básica, que não prepara o futuro cidadão para o exercício da cidadania plena, onde se encontra o direito à memória. Temos que assinalar avanços, porém, há muito que fazer. Se o Brasil é um país do futuro, é bom que estejamos atentos para o fato de que não existe futuro sem passado.

A formação no Brasil

O tema da formação de operadores qualificados para conservação tem recebido cuidados para ser equacionado corretamente, nestes últimos vinte anos. Caberia, pois, fazer uma rápida retrospectiva sobre o assunto. Sabe-se das enormes dificuldades que sofreu (e continua sofrendo por falta de recursos) o IPHAN, para aplicar uma política de defesa do nosso patrimônio cultural, desde a sua fundação, em 1937. Em um país de dimensões continentais, contando este organismo estatal com tão poucos profissionais, pode-se imaginar as dificuldades que tinham e têm uns poucos abnegados, para exercer a sua atividade dignamente. A história desta atuação está pontilhada de lances dramáticos e alguns anedóticos.

O problema da formação de especialistas alcançou, porém, o seu nível mais crítico, quando o então Ministério do Planejamento, sob a inspiração do Ministro Reis Veloso, resolveu criar, nos anos 70, um programa de restauração e revitalização intenso, que foi designado como Programa de Cidades Históricas. Pela primeira vez injetou-se, de maneira maciça, uma soma apreciável de recursos na atividade da conservação. Este programa, afortunadamente, foi confiado a pessoas de sensibilidade, que deram prova da sua percepção sobre a restauração monumental, e trouxeram para a iniciativa alguns antigos especialistas do IPHAN. Os resultados foram significativos, principalmente nas cidades do Nordeste, mas o volume de empreendimentos demonstrou, imediatamente, a carência de recursos humanos qualificados, nos diversos níveis de operação, para enfrentar o problema. Esta deficiência manifestou-se sob os mais variados

matizes, que iam desde a inexistência pura e simples de pessoal para fazer as operações, como é o caso do restauro da azulejaria, passava pelo custo excessivo das operações, pela falta de intimidade com o problema e chegava ao domínio das soluções técnicas pouco recomendáveis, em virtude do empirismo que predominava nos canteiros de restauração. Esta aplicação de procedimentos pouco científicos e racionais, em alguns casos, foi a causa de se ter que fazer a restauração da restauração em espaço de tempo relativamente curto. Isto, porém, não quer dizer que não tenhamos chegado a resultados apreciáveis, porém acreditamos que a margem de erro poderia ter sido reduzida, com uma melhor preparação cientifica e técnica dos profissionais da intervenção. Felizmente, não temos muito que lamentar no que se refere ao caráter teórico e conceitual das intervenções, porque vivíamos naqueles tempos os bafejos renovadores e disciplinadores da Carta de Veneza ou da Carta Italiana de Restauro e podemos dizer que estávamos integrados à moderna cultura conceitual do restauro, salvo as exceções que existem para confirmar a regra geral! A tendência ao ripristino, à “restauração estilística”, ao “fazer como era” ou ao “falso histórico” entraram, pois, no domínio da excepcionalidade, da mesma maneira que acontece em outras partes do mundo.

Esta rápida visão, daquele momento de transformações, deixa entrever que, mesmo não sendo a componente exclusiva da formação dos conservadores, a lacuna da preparação científica salta aos olhos dos especialistas da matéria, bem como a sua defasagem em relação à capacitação de juízo crítico e de projetação sempre mais avançados. Até hoje é sintoma marcante esta falta de quadros para investigar os problemas peculiares ao nosso clima e ao nosso meio ambiente, as nossas antigas técnicas de construção e materiais, os nossos sistemas estruturais, tudo isto sofrendo, terrivelmente, a ação do tempo, do intemperismo e os rigores de um clima tropical de alta umidade relativa. A vertente da investigação científica é, em conjunto com o ensino qualificado, um instrumento fundamental para a melhoria dos processos de intervenção, com soluções mais eficientes e duradouras e de custos mais coerentes com a nossa realidade econômica, conseguindo a salvação de testemunhos da nossa memória, que poderiam ser considerados como perdidos. Destacamos a investigação científica porque a investigação histórica, os estudos da evolução urbana e história das cidades fazem muitos anos que encontraram aceitação e desenvolvimento entre nós.

Uma vez mais o Programa de Cidades Históricas foi de providencial ajuda financiando os primeiros cursos de restauradores no Brasil ao nível de especialização para arquitetos. Estes cursos, que

Capítulo 3 Educación y formación 105

105

passarem a ser chamados CECRE (Cursos em Conservação e Restauração de Sítios e Monumentos Históricos), levados a efeito em algumas capitais brasileiras, a partir de 1982 fixaram-se em Salvador, pela disponibilidade de maior massa crítica de docentes, pela posição de equilíbrio no território nacional e pelo acervo monumental local. Este ano acontece a versão XII e neste percurso tem sido apoiado pela CAPES, IPHAN, UNESCO, CNPq e outras entidades, fazendo parte, agora, do PPG-AU da Universidade Federal da Bahia.

Com a criação do Mestrado em Arquitetura, depois de alguns anos complementado com o Doutorado, com área de concentração em conservação do patrimônio arquitetônico, a transmissão do conhecimento científico da restauração, meramente informativa, no início, começou a ter base na investigação, pois foi implementado o binômio ensino-pesquisa. Os profissionais formados com esta nova mentalidade têm facilitado a difusão desta ideologia em diversas partes do Brasil.

Está claro que não poderemos ficar somente, no que se refere à atividade restaurativa, naquele momento metodológico do reconhecimento da obra de arte2 mas caminhar em direção a uma nova consciência: a prática do “restauro preventivo” entendido como conjunto de operações endereçadas e com o fim de atuar em uma “conservação programada3, como queria Giovanni Urbani, o que implica na fundamentação científica dos procedimentos operativos. Aliás, o próprio Brandi reconhece que devemos distanciar, para sempre, a restauração do empirismo, declarando, em seguida, o seu apreço pela prática ou técnica dos procedimentos, elevando-as à mesma hierarquia da teoria4.

Consideramos que o momento presente é um marco histórico na conscientização de outros profissionais para colaborarem na causa da conservação. A velha pregação de tantos anos5 que encontrava acolhimento no círculo restrito de colegas da nossa universidade, acaba de ser reconhecida em nível nacional, com o programa de financiamento lançado pelo CNPq, para criar redes de grupos de investigadores, dedicados à preservação dos artefatos de valor cultural.

Uma polêmica conceitual no restauro da azulejaria

Em seguida, às reflexões sobre a formação, caberia refletir sobre um dos aspectos conceituais que mais dizem respeito a intervenção eficiente para conservar painéis de azulejos: até que ponto é lícito nos apegarmos à conservação de todos os materiais originais da fábrica? É nosso entendimento que a nossa posição deve ser flexível, até certo ponto. Se assim fosse, não

haveria significado, para nós restauradores o aforismo do casus ad casum. Invocando, novamente a indefectível figura de Brandi, sempre presente neste tipo de debate, cuja formação intelectual privilegiada, não poderia deixar lugar para a inflexibilidade, observa-se que, quando o mestre argumenta sobre a intervenção nas obras de arte, afirma, grosso modo, que se as condições do artefato exigirem o sacrifício de uma parte da consistência material, este sacrifício será levado a efeito segundo a exigência da instância estética6. Ora, esta afirmativa tem muito a ver com o tema dos nossos painéis de azulejos, como veremos, e nela vamos fundamentar o nosso raciocínio.

Admitindo a necessidade de se pensar de maneira flexível, assumindo a existência do ideal e do possível, das contradições da teoria e da prática, e conscientes de que cada caso é um caso, pedimos licença para continuar o nosso raciocínio fazendo considerações sobre os problemas da conservação dos nossos painéis de azulejos. Tomamos como motivo específico a Cidade do Salvador e as patologias que normalmente se manifestam, entre nós, neste nobre revestimento parietal.

Acreditamos piamente que, em caso de intervenção sobre azulejos, aqui na Bahia e em outros locais de condições ambientais similares, olhando-se à luz da experiência acumulada, não poderemos ser muito contemplativos, nem fazer tratamentos cosméticos em relação à intervenção sobre superfícies azulejadas, se desejarmos dar real longevidade ao material. As experiências em contrário têm sido lamentáveis. A situação nos obriga a ser incisivos, para encontrar soluções mais duradouras, e não podemos nos limitar a limpezas e consolidantes superficiais, pois o que acontece de mais grave, entre nós, são problemas oriundos das tensões de cristalização de sais solúveis, que migram do substrato dos muros onde estão aplicados os painéis. Isto quer dizer que, para a salvação de alguns painéis, somos obrigados à remoção, com a perda da argamassa original de assentamento. Evidentemente, sabe-se que qualquer intervenção deve estar revestida da cautela e da prudência das quais nos fala Sanpaolesi, mas, a um certo ponto, devemos assumir la coraggiosa presa di coscienza di affermazione della propria e altrui libertà7. É um dilema semelhante àquele que tem um médico, ao sacrificar um órgão do paciente, diante do perigo do seu desaparecimento. Além disto, entre nós, além do problema sério da capilaridade ascendente, carregando sais solúveis, de maneira especial cloretos e sulfatos (que são “mortais”), aparece, amiúde, o problema do material contaminado de origem (materiais das paredes e das argamassas), porque grande parte dos nossos muros é feita de rochas areníticas de cimentação cálcica, extraídas de antigas pedreiras perto do mar e mestre Vitrúvio e

106 El Estudio y la Conservación de la Cerámica Decorada en Arquitectura

Plínio já chamavam a atenção para os problemas que aconteciam quando tais materiais eram usados. Independente disto, o nosso aerossol salino é encontrado, em alguns casos, a trinta quilômetros adentro da orla do mar. As barreiras químicas são de eficácia duvidosa e mesmo a eficiente barreira física dos Massari não resolve o problema da massa de sal retida na porosidade de paredes de um metro ou mais de espessura. Não obstante a redução da capilaridade, há sempre a possibilidade da ação da higroscopicidade dos sais nas atmosferas muito úmidas.

No que se refere à necessidade de atuar, de maneira incisiva, na conservação dos painéis de azulejos, para se obter bons resultados, voltamos à referência dos conceitos brandianos que admitem, em função das condições do objeto, que uma parte da consistência material poderá ser sacrificada, levando-se em conta os ditames da instância estética. Está implícito, assim, que haverá uma prioridade na escala de valores, que nos fará decidir o sacrifício de uma parte da matéria para preservação da obra de arte ou de outra parte mais importante. No caso da azulejaria, parece-nos óbvio, que a obra de arte está no desenho e na policromia (ou monocromia) do desenho na superfície; o biscoito (ou chacota no dizer dos portugueses) é o suporte e, conseqüentemente, será secundário. A parede com a massa, que está mais abaixo, é o substrato do substrato do desenho, ou seja,

FIGURA 2 Painel do Palácio da Reitoria de inspiração oriental (Séc. XVIII).

dentro da hierarquia de valores, encontra-se colocado em terceiro plano. É justo, assim, pensar que esta parte poderá ser sacrificada se a integridade da obra de arte estiver ameaçada. Se isto não pudesse acontecer, ter-se-ia que abolir da restauração as técnicas do reintelamento, do strappo, do parchettaggio e similares.

Esta afirmativa vem a propósito de que os únicos exemplos de painéis azulejados que tiveram a sua degradação efetivamente bloqueada e se conservam, sem problemas, até hoje são os do edifício da Reitoria da UFBA8 que foram removidos de um antigo solar destruído e reaplicados sobre painéis impermeáveis no edifício construído nos anos 50, e os da sacristia da Basílica da Conceição da Praia9, que sofreram o mesmo tratamento de remoção e reaplicação nos anos 80, com perda, evidente, da argamassa de assentamento original. Em ambos os casos os valores estéticos, porém, foram integralmente preservados e, melhor ainda, conservaram-se inalterados, até hoje, depois de tantos anos.

Todos os conservadores e restauradores qualificados sabem, e os documentos clássicos da nossa cultura da conservação estabelecem, que na restauração a matéria original do objeto ou do fabricado tem que ser conservada. Seria bom, entretanto que se acrescentasse a expressão: na medida do possível. Por outro lado, sabe-se, também, que aquilo

que se restaura é a matéria e não a obra de arte e nesta qualidade ela está passível de sofrer transformações. Cabendo-nos, intervir sobre a matéria, não nos podemos permitir desconhecê-la na sua mais recôndita intimidade. Este conhecimento remete-nos ao discurso inicial sobre a preparação científica, que deverá ter profundidade capaz, não somente, de identificar o material, analisá-lo para trabalhá-lo com perfeição, porém chegar ainda mais fundo no seu conhecimento, como as patologias, das mais variadas origens, que pode contrair, ou o envelhecimento natural da matéria. Só assim estaremos seguros da eficácia da nossa intervenção e sua capacidade de fazer o artefato de interesse cultural alcançar a sua máxima longevidade.

Mais recentemente, uma investigação conduzida pelo NTPR relativa a uma dissertação de mestrado do PPG-AU, conseguiu

Capítulo 3 Educación y formación 107

107

 

 

 

5

Oliveira, Mário Mendonça 1996. ‘A responsabilidade do

 

 

 

FIGURA 3 Sacristia

 

 

 

cientista na preservação da memória’, in Cadernos do IFUFBA

da Basílica da

 

 

 

(Salvador: UFBA/IFUFBA) 13-26. Oliveira, Mário Mendonça

 

 

 

2001. ‘O arquiteto e a formação científica’, in Santiago,

Conceição da Praia.

 

 

 

 

 

 

Cybèle C. (Org), Materiais de construção: aspectos práticos e

 

 

 

 

Painel do Séc. XIX.

 

 

 

históricos (Salvador: PPG-AU/DCTM-EPUFBA) 11-15.

 

 

 

6

Brandi, op. cit. 16.

 

 

 

7

Gurrieri, op. cit. 12.

 

 

 

8

Esta operação deu-se há cerca de cinquenta anos, uma prova

 

 

 

 

inequívoca da sua eficácia, mesmo nos andares dos subsolo

 

 

 

 

onde os rebocos periféricos se encontram com sinais de

 

 

 

 

“lepra”, provocada pela cristalização de sais solúveis.

 

 

 

9

Operação levada a efeito há cerca de vinte anos.

 

 

 

10

Oliveira, Mário Mendonça, Thais B.C Sanjad, Cid José P.

 

 

 

 

Bastos 2001. ‘Biological degradation of glazed ceramic tiles’,

 

 

 

 

in Proceedings of the 3rd International Seminar of Historical

 

 

 

 

Constructions, Nov. 7-9, 2001, 337-342.

 

 

 

11

Foram encontradas as cianaofícias: Chroococcus sp.,

 

 

 

 

Scytonema sp., e Lyngbya sp. e a distomácea: Navícula sp.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

identificar a causa das manchas escuras que aparecem sob o vidrado de alguns azulejos prejudicando a leitura do desenho10. Como foi observado por microfotografia de uma secção transversal a infiltração dos microorganismos11 faz-se através do “craquelê” do vitrificado instalando-se sob ele. Isto resulta em séria dificuldade de remoção das manchas, que interferem na legibilidade do desenho. Todo o repertório de processos de limpeza, que se aplicavam ao caso, foi tentado, com e sem uso de emplastros, sem qualquer sucesso. O Soluene, à base de amônia quaternária, não demonstrou, igualmente, qualquer resultado. Até ao momento somente a requeima das peças em temperatura elevada, mas bem inferior à de fabricação, para não causar danos ao material, conseguiu sucesso e isto implica na remoção das peças. Bem, mas isto é um novo assunto que fica a guisa de provocação para discussão dos colegas que se ocupam da preservação da azulejaria, principalmente daqueles que trabalham diretamente com a conservação do material e conhecem as suas particularidades e suas dificuldades operativas.

Notas

1Gurrieri, Francesco 1981. ‘Piero Sanpaolesi, Il restauro come scienza’, in Piero Sanpaolesi, il restauro dai principi alle tecniche (Firenze: Facoltà di Architettura/ VI Assemblea Generale ICOMOS) 9.

2Brandi, Cesare 1996. Teoria de la restauración (Madrid: Alianza) 56.

3Gurrieri, Francesco op. cit.

4Brandi, op. cit. 57

108 El Estudio y la Conservación de la Cerámica Decorada en Arquitectura

[ Paolo Saturno]

Geologo

“Moduli di Specializzazione” nella conservazione e nel restauro delle ceramiche decorative in architettura

competenze e linee programmatiche

Nonostante in un gran numero di paesi e di regioni geografiche esistano tradizioni ceramiche ben radicate (secolari o millenarie), od addirittura di eccelleza artistica e tecnologica, ben al disotto delle auspicabili aspettative risultano le spinte didattiche e formative nell’apprendimento di tale arte ed ancor meno presenti (se non del tutto sconosciuti) risultano i tentativi di organizzare attivitá coordinate (educativo-formative) nel settore del restauro e della conservazione applicate ai materiali ceramici (archeologici, da collezione e/o per usi architettonici).

Rifacendosi all’esperienza italiana, non molto distante anche dalle altre “scuole” europee, il panorama dell’offerta didattico-formativa, soprattutto per quanto

attiene la produzione e gli aspetti storico-artistici dei ceramici, risulta frammentata in una vasta serie di proposte sia istituzionali (corsi di diploma e post-diploma,scuole professionali, istituti d’arte, corsi di specializza­zione,­ etc.) sia di carattere “artigianale” (scuole-bottega, laboratori storici, opifici artistici, etc.).

Proprio la consueta percezione comune nel considerare il “fare ceramica” come un’attività artigianale od al meglio di “arte minore", ha di molto ritardato, almeno in vari Paesi, lo sviluppo di iniziative didattico-formative integrate, all’interno di specifici iter formativi teorico-pratici specificatamente dedicati allo studio ed alla conoscenza dei materiali e dei processi produttivi e di finitura dei ceramici.

Le rare eccezioni che datano ad attivitá formative pluridecennali e diversificate, si collocano in realtà provinciali e/o locali storicamente identificabili a livello nazionale con l’idea stessa della produzione ceramica s. l. (Faenza, Napoli, Vietri, etc. per l’Italia,

Limoges per la Francia, Siviglia per la Spagna, Lisbona per il Portogallo, etc.).

Una rapida verifica delle diverse realtà istituzionali preposte alla conservazione ed al restauro del patrimonio culturale sia negli areali occidentali quanto nel resto del mondo (come testimoniato anche dalla recente attività conoscitiva sviluppata sull’argomento dall’ICCROM “La ceramica decorata in architettura” 2001-02) ha evidenziato senza alcun dubbio l’imbarazzante assenza o limitatezza di attenzione programmatica nella formazione di figure professionali specializzate nell’affrontare a tutto tondo le problematiche di gestione, conservazione e fruizione di opere o contesti architettonici contenenti a vario titolo, prodotti decorativi di natura ceramica.

Come in molti altri settori delle attività umane applicate, ancor più in tale specifico campo artisticotecnologico,sussistonovalidecompetenzesiaistituzionali quanto di singoli ricercatori ed addetti ai lavori che purtroppo risultano spesso del tutto scollegate tra di loro o comunque poco comunicanti (anche lessicalmente) e che, ironia della sorte, vengono saltuariamente coinvolte quando si presentano situazioni di emergenza per un sito “a valenza ceramica”.

Capítulo 3 Educación y formación 109

109

È superfluo dire che, nonostante i diversi e positivi riscontri che hanno mostrato tali interventi in varie parti del mondo, questo principio non può essere assunto come valido e soprattutto non garantisce la necessaria formazione strutturata di tecnici e/o professionisti che volessero specializzarsi in un settore così complesso, non garantendo peraltro la necessaria trasmissione del vasto bagaglio culturale (storico, artistico, tecnologico e conservativo) che necessita per affrontare con l’opportuna deontologia e criticismo un intervento su un opera che contenga, od ancor meglio, che sia in primis connotata e valorizzata da elementi ceramici decorativi.

Occorre pertanto uno sforzo particolare, innanzitutto conoscitivo, sia a livello nazionale quanto trans-nazionale ed internazionale (considerando il fatto che pochi prodotti come la ceramica, anche decorativa, hanno valicato così estesamenete nel tempo le frontiere politiche ed ideologiche di numerosi paesi nel mondo), circa le potenzialità ceramiche storicopatrimoniali espresse ed ancora presenti in ciascun Paese, senza trascurare quelle eventualmente ancora attive e trasmissibili alle future generazioni.

Proprio partendo dall’attenta valutazione preliminare del “patrimonio ceramico decorativo” presente all’interno di ciascun paese o regione ed ovviamente del suo specifico stato conservativo, quindi ancora in grado di testimoniare e trasmettere il messaggio segnico e simbolico di ciascun singolo elemento come anche del contesto architettonico in cui è inserito, oltre che dalla conoscenza delle competenze presenti ed operanti sul territorio, dovrebbero prospettarsi le linee guida di uno specifico iter forma- tivo-professionale che porti all’identificazione di un preciso piano di attività e studi teorico-applicative da proporre ad un target di tecnici, professionisti ed operatori altrettanto ben determinato (restauratoriconservatori, architetti, tecnologi/ricercatori, specialisti­ del settore ceramico, etc.).

Ipotesi di massima per lo sviluppo di attività didattico-formative nel settore della ceramica decorata in architettura

Lungi dal voler indicare in tale sede i dettami specifici di un qualsivoglia iter formativo-professionale dedicato alla conservazione ed al restauro contestuale della ceramica decorativa in architettura, si desidera comunque sottolineare quelli che possono essere ritenuti i punti cardine, in temini di Istituzioni ed Enti coinvolgibili e delle tematiche affrontabili, in un ipotetica attività di formazione in tale settore.

Considerate le fondamentali finalità conservative che un qualsiasi intervento su un’opera d’arte od un contesto architettonico di interesse culturale dovrebbe

avere, la spinta propulsiva, propositiva ed organizzativa in tale materia dovrebbe pertanto far riferimento agli specifici dicasteri nazionali in materia di conservazione e valorizzazione dei Beni Culturali (od a loro Organi tecnici dedicati).

Considerata la mondializzazione delle attività e dei servizi anche nel settore del patrimonio culturale, oltre all’indiscussa valenza e visibilità internazionale di molte opere monumentali (nel campo ceramico decorativo qualche esempio per tutti può esser dato dal palazzo-fortezza dell’Alhambra a Granada-Spagna e dalle moschee e chiese di Samarcanda in Uzbekistan) sarebbe sicuramente proficuo auspicare il coinvolgimento organizzativo e programmatico in tali attività di organismi a carattere internazionale (UNESCO, ICCROM, World Monument Fund, Getty Conservation Trust, etc.), che con la loro pregressa esperienza formativa, in termini di programmi/ consulenti esperti, e pratica sul campo sicuramente potrebbero contribuire ad una finalizzazione più mirata ed efficace degli aspetti formativi da svilupparsi.

Un ulteriore ed imprescindibile apporto conoscitivo e critico oltrechè operativo, dovrà ricercarsi in vari Istituti universitari (sia ad indirizzo tecnico-scienifico sia storico-umanistico) interessati od interessabili a vario titolo in tali tematiche e quindi ancora in Centri di ricerca scientifica di base ed applicata (CNR, ENEA, CNRF, UKIC, GCI, etc.) unitamente alle realtà produttive locali, regionali e nazionali nel campo dei ceramici tradizionali ed avanzati (Consorzi e poli produttivi, industrie e loro laboratori di ricerca).

Un intervento conservativo e di restauro su un contesto architettonico contenente anche materiale ceramico decorativo, comporta molto spesso la pianificazione di una contemporanea fruizione del bene nel suo insieme od ancora, più o meno estese variazioni di funzione d’uso del contenitore o di alcune sue parti, per cui subentrano interessi e competenze estetiche, urbanistiche o di arredo urbano, di vincolo e tutela, etc. che possono chiamare in causa altri soggetti istituzionali (Comuni, Province, Organi di sorveglianza e tutela del patrimonio) ovvero professionali (Ordini e categorie professionali, rappresentanze di tecnici specializzati), che sarebbe altrettanto interessante coinvolgere, per quanto di competenza, anche nella fase formativa.

Per quanto attiene i contenuti didattico-formativi di un “modulo di specializzazione” in tale settore (da ipotizzarsi almeno annuale o biennale), questi dovrebbero spaziare necessariamente nei diversi campi sia materico-tecnologici dell’oggetto ceramico e del suo contesto quanto in quelli più prettamente storico-estetici e funzionali. Il tutto ovviamente sempre

110 El Estudio y la Conservación de la Cerámica Decorada en Arquitectura

schema delle istituzioni e degli organismi potenzialmente interpellabili nell'attività formativa

 

 

 

 

 

Organismi internazionali

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ministeri dei beni culturali

 

 

 

Università e centri

 

 

e suoi organi tecnici

 

 

 

di ricerca scientifica

 

 

(centri di restauro)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Linee guida Programmatiche

 

 

 

 

 

 

 

 

Ordini professionali,

 

Poli e consorzi

 

 

 

 

 

produttivi nel settore

 

 

 

Enti museali ed

 

 

gruppi di ricerca

 

 

 

 

 

 

specialistici, esperti, enti

 

dei materiali ceramici

 

 

 

 

 

 

 

 

 

organizzazioni di tutela

 

 

locali (comuni, province)

 

(con loro centri di ricerca)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

finalizzato a corredare criticamente le conoscenze circa i migliori approcci conservativi, di restauro e di fruizione (e quindi di ottimale mantenimento) cui bisogna sottoporre tali manufatti quando lo si renda necessario per la loro trasmissione alle generazioni future.

Saranno sicuramente molto utili e formativi in tal caso, per la comprensione di numerose fenomenologie di degrado ancora poco definite per tali materiali, la pianificazione e lo sviluppo di progetti pilota di ricerca sia alla scala del singolo elemento ceramico quanto dell’intero manufatto che lo contiene (un valido esempio sembra essere il recente National German research project on Ceramic, iniziato nel 2000 ed organizzato tra vari Istituti tedeschi, oltre ad attività simili (Architectural Ceramics: Their history, manufacture and conservation, 1994) messe in atto qualche anno fa dall’English Heritage e dall’UKIC in Inghilterra).

Da quanto detto, ne segue pertanto, che il destinatario di una simile proposta formativa dovrebbe

essere un professionista e/o un operatore che possieda già una solida formazione (didattica e professionale) inerente sia gli aspetti composizionali e tecnologici dei materiali quanto quelli storico-artistici e conservativi dei manufatti di interesse culturale e che voglia quindi approfondire e conoscere nel dettaglio gli stessi aspetti, soprattutto in opera, in un materiale composito e complesso quale risulta essere un ceramico decorato (nello schema sintetico allegato si prospettano alcune delle tematiche didattiche da svilupparsi nell’iter formativo).

RINGRAZIAMENTI

Si desidera esprimere un sincero ed amichevole ringraziamento alle coordinatrici del progetto ICCROM “La Conservazione della Ceramica decorata in Architettura“, Arch. Ana Almagro ed Arch. Isabel Bestué per la qualità del lavoro svolto e per la pazienza dimostrata nell’attesa di codesto contributo.

Capítulo 3 Educación y formación 111

111

schema sui possibili argomenti formativi inerenti il modulo specialistico in conservazione e restauro della ceramica in architettura

storia dell'arte ceramica

Materie prime per la produzionedi materiali ceramici e relativi rivestimenti

tecniche di produzione ceramica e ceramologia tradizionale e industriale

studio dei processi di alterazione e degrado dei materiali ceramici decorati

Ceramici decorati e contesto architettonico: compatibilità ambientale e dei materiali

aspetti chimico-fisici del restauro e della conservazione dei ceramici

storia, critica e metodologia della conservazione

documentazione dei manufatti ceramici

Problematiche di fruizione, manutenzione controllata e musealizzazione

dei manufatti ceramici

sperimentazione pilota di processi degradativi dei materiali ceramici, in laboratorio e in sito, dei prodotti e delle procedure di restauro e conservazione

Professionista/operatore specializzando in restauro e conservazione dei materiali ceramici decorati

112 El Estudio y la Conservación de la Cerámica Decorada en Arquitectura