História
História é uma ciência humana que tem como finalidade compreender um determinado período histórico de uma civilização, através de fontes documentais. Analisa os processos históricos, personagens e fatos para poder compreender um determinado período histórico, cultura ou civilização. Seu objeto de estudo é a ação do homem no tempo.
Um de seus principais objetivos é resgatar os aspectos culturais de um determinado povo ou região para o entendimento do processo de seu desenvolvimento.
Na Grécia arcaica, iniciou-se a filosofia e a História, que eram concebidas enquanto, inspiração divina. Clio, era a musa considerada a personificação e a inspiração da História e a grafia. Costumava ser representada erguendo papeis, fazendo uma alusão às escrituras, que hoje podemos associar à historiografia.
IMAGEM 1: Representação grega, da musa Clio, divindade que personifica a História e a inspiração gráfica.
Para reconstituição dos períodos paleolíticos, neolíticos e civilizações antigas, têm-se pouca documentação por isso, os historiadores e arqueólogos de modo geral, usam fontes materiais, já que não há registros gráficos e orais. A reconstituição destes períodos, dá-se a partir de ossos, ferramentas, vasos de cerâmica, objetos de pedra, fósseis e obras artísticas. Para estudos de eras mais recentes, podem ser usadas fontes materiais ou imateriais como livros, e indumentárias, imagens, registros orais, documentos, moedas, jornais, gravações, idiomas, escritos, rituais, códigos e etc.
“Capacitar o homem a entender a sociedade do passado e aumentar o seu domínio sobre a sociedade do presente é a dupla função da história” (CARR, 1982).
Marc Bloch e Lucien Febvre definiram a história como a “ciência dos homens no tempo, a ciência da mudança perpétua, das sociedades humanas”. Para eles, o objetivo dos estudos históricos era a “compreensão da vida passada”. Entretanto, entre eles já iniciava o surgimento da complexidade do paradigma dos Annales. Na perspectiva de Bloch, o indivíduo só pode ser compreendido em sua estrutura social, que é construída racionalmente, observável empiricamente e “explicável casualmente”.
Durante o século XIX, destacaram-se duas correntes históricas: Uma positivista e outra de tendência marxista. A positivista via a sociedade de maneira conservadora. A de tendência marxista alinhava-se aos movimentos políticos, culturais e revolucionários.
A Escola de Annales é um movimento historiográfico, surgido em França na década de 30, que ampliou e transformou radicalmente os estudos das Ciências Humanas. Destaca-se por incorporar diferentes meios de análise, principalmente a pesquisa oral. Propunha ir além da visão positivista, que via a História como crônica de acontecimentos, substituindo o tempo superficial dos acontecimentos pelos processos de longa duração. De tendência marxista, foca as diferenças sociais, vindas das falhas dos sistemas econômicos e governamentais. Propõe analisar as civilizações de forma aprofundada e focaliza seus estudos no indivíduo, e a partir deste, a sociedade como um todo. Surge então, a era da subjetividade, onde os estudos passam a ter um olhar para dentro de temas específicos. Propunha o fim da divisão da humanidade em eras prontas e genéricas, e formas individuais de análise para cada população. Aborda a realidade social das classes baixas, minorias, excluídos socialmente. Amplia o conceito de sexualidade e gênero e todas as formas de relações humanas, que passam a ser vistas sob a subjetividade psicanalítica.
O Positivismo pregava a “cientifização” do pensamento do estudo humano, visando resultados precisos e completamente corretos, sem profunda análise. Conhecido como “História de Almanaque”. Cria que o conhecimento se explica por si mesmo. Reduz o papel, do homem enquanto ser pensante, para um coletor de informações e fatos presenciados em documentos. “Os fatos históricos, falam por si mesmos.”, dizia Coulanges. A História era então, uma verdade única em sua formação, e ao historiador, só cabia o papel de coletar e organizar dados, como em uma experiência química ou uma lei natural.
Com a Nova História, discute-se o sujeito e a subjetividade, transformando o ser em um novo objeto de conhecimento. Opõe-se ao racionalismo, uma vez que aponta a existência do inconsciente humano, e engodo social.
No chamado materialismo histórico, as análises sociais são permeadas principalmente por análises econômicas.
Para a “cientifização” o homem possui clareza e capacidade de livre raciocínio. Annales buscava restituir ao homem a sua posição de sujeito.
A influência dos Annales no Brasil, principalmente na Nova História, busca estruturas particulares e acreditam numa história estrutural. Em São Paulo, um dos seus principais representantes, foi Fernand Braudel, que esteve presente na formação da Universidade de São Paulo (USP) em 1934.
