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Exercícios de audição

Ouça a gravação do texto e diga, em poucas palavras, de que se tra­to nele.

Texto o Sebastianismo

Quando D. João III morreu, em 1557, o seu neto e herdeiro D. Sebastião apenas tinha três anos de idade. A regência foi então exercida pela raínha viúva, D. Catarina de Áustria até 1562, e mais tarde pelo cardeal infante D. Henrique. D. Sebastião subiu ao trono em 1568, com catorze anos de idade. Era uma criança doente, e vivia convencido de que a doença só podia ser curada através da instrução militar e do treino de combate. Aguardado com muita ansiedade, depositaram-se nele as esperanças de fazer de Portugal um Império Universal com base no cristianismo. Assim cresceu, imaginando-se um “marechal de Cristo contra o islamismo”. Em 1578, com vinte e quatro anos de idade, embarcou para Marrocos com um exército de cerca de dezassete mil combatentes. Dirigiu-se ao encontro do exército do rei de Marrocos, perto de Alcácer Quibir. O exército português sofreu uma pesada derrota. Grande parte do exército foi esmagada pelas forças muçulmanas, oito mil soldados foram capturados. O próprio rei morreu. Com a sua morte está relacionado um fenómeno místico: o sebastianismo. D. Sebastião faleceu durante a batalha, mas ninguém o tinha visto morrer. Pelo contrário, houve quem o visse depois de morto. De acordo com ética cavaleiresca, confessar que se tinha visto morrer o rei sem dar a vida por ele, seria uma infâmia, o que explica em grande parte o mistério.

A ausência do “Desejado” - um dos cognomes do rei D. Sebastião - mergulhou Portugal num colapso político, deixando o trono luso sem herdeiro. Diante desta situação, o reinado português acabou por ser anexado ao reino de Castela e ao domínio dos Felipes. Portugal sofreu com o trágico fim do rei, revelando amargura para o futuro e melancolia ao relembrar o passado glorioso. O povo nunca aceitou a morte do rei e criou uma lenda segundo a qual ele ainda estava vivo, à espera do momento oportuno para voltar montado num cavalo branco numa manhã de nevoeiro, e retomar o trono e expulsar o inimigo espanhol. Surgiram inúmeras versões quanto ao seu desaparecimento. Alguns relatos defendiam que o Desejado morrera ao lado dos seus combatentes, enquanto outros mencionavam que o rei teria conseguido escapar e regressar a Portugal. Aproveitando a crença popular, vários usurpadores tentaram fazer-se passar pelo Desejado, tendo sido presos uns e mortos outros. Este movimento messiânico perdurou como uma espécie de crença que leva a acreditar, em épocas de sofrimento colectivo, na chegada providencial de alguém que nos há-de salvar a todos. Teve inclusive influência na revolta do grupo de conjurados chefiados pelo Duque de Bragança, que levaria à restauração da independência de Portugal, a 1 de Dezembro de 1640. A partir desse momento, o imaginário mergulhou profundamente no sebastianismo, que passou a ser interpretado ao sabor das circunstâncias históricas. Verificou-se um recrudescimento do sebastianismo durante as invasões francesas no século XIX. O mito chegou ao nordeste brasileiro, aproveitado principalmente pelas populações de escravos. Pela sua força e influência na História e Cultura Portuguesas, o sebastianismo converteu-se num dos temas prediletos da literatura portuguesa, desde o Romantismo do século XIX. Entre os escritores que se debruçaram sobre este mito, podemos citar Almeida Garrett, António Nobre, António Quadros ou ainda José Saramago. Até hoje o sebastianismo é parte integrante do inconsciente coletivo nordestino brasileiro e português. Não deixa de ser um fenómeno algo paradoxal, pois por um lado contribui para manter um certo nacionalismo, uma esperança na recuperação. Mas por outro, em vez de estimular o espírito de iniciativa, o sebastianismo apenas serviu para acentuar a inércia de um povo que espera passivamente por um salvador que lhe resolva todos os problemas, o que explica a submissão do cidadão luso a sucessivos governos de fraco contributo para o progresso do país. O sebastianismo constitui um dos melhores exemplos desta tendência portuguesa de crer em milagres e heróis. A sua influência pode ser observada até hoje quando se aproximam eleições, “reacendendo o entusiasmo e a fé do povo no destino independente da nação”, como sublinhou António Quadros.

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